10º Furacom apresenta: Criação Publicitária do Briefing ao Anúncio

Rodrigo Stefani Correa - Lançamenrro do livro Criação Publicitária do Briefing ao Anúncio - 10º Furacom

Um apaixonado por publicidade. Assim se define Rodrigo Stefani Correa, que depois de anos de carreira em diferentes praças do Brasil, juntou sua experiência no livro Criação Publicitária do Briefing ao Anúncio. O livro teve seu lançamento em Campo Grande, no 10º Furacom, evento que tem o nome do Rodrigo em sua história.

Rodrigo é Professor da Universidade Federal de Pernambuco, onde é coordenador da Agência Experimental. Tem um currículo extenso que passa por agências de publicidade, departamento de marketing e universidades.

Muito simpático e atencioso, ele bateu um papo com a gente sobre carreira, publicidade e, claro, sobre o livro. Olha só que conversa boa:

Rodrigo Stefani - Lançamento do livro Criação Publicitária do Briefing ao Anúncio - 10º

Rodrigo Stefani – Lançamento do livro Criação Publicitária do Briefing ao Anúncio – 10º Furacom

Papo: Fale um pouco da sua carreira pra gente.
Rodrigo: Eu nunca planejei nada em minha carreira, na minha vida tudo foi pautado pelo acaso. Ainda na Universidade eu sonhava em trabalhar na DM9, que naquela época era a agência brasileira de maior expressão. Fui para São Paulo em busca desse sonho e acabei entrando na ESPM, para fazer pós-graduação em Marketing e comecei a trabalhar com marketing, uma das áreas menos prováveis na minha vida, uma vez que meu objetivo era ser Diretor de Criação. Depois disso, encontrei um amigo de faculdade que é de Cascavel, no Paraná, e que me convidou para abrirmos uma agência lá, daí por diante tudo aconteceu muito rápido… fundamos nossa agência, me tornei professor universitário e depois já era um profissional com dedicação exclusiva na educação, atuando como professor de publicidade!

Papo: Publicidade pra você é…
Rodrigo: Publicidade é um estilo de vida, muito mais que uma competência profissional, a publicidade é uma forma de expressão: das suas ideologias, da sua ética, de boas ideias, que lhe ajuda a entender o mundo e melhorar a forma com que você se relaciona com a sua cultura, com as pessoas e, principalmente, superando tabus. A publicidade liberta você de muitos paradigmas que a sociedade clássica estabeleceu ao mesmo tempo em que te lança numa lógica econômica industrial e se você não se tocar disso estará fadado a ser um prisioneiro do mercado, transformando-se em uma pessoa medíocre, programada, que acha que é um cara descolado, legal, “só que não”.

Papo: Quais as maiores alegrias que a publicidade já lhe proporcionou?
Rodrigo: A publicidade permitiu que eu conhecesse todo o Brasil, mais importante ainda, me permitiu misturar com todo tipo de gente, de todos os estilos, sem qualquer nível de pré-julgamento. Entretanto, o que eu vejo de legado na publicidade para minha vida são as amizades que vieram do contato profissional com essa gente (um bando de loucos). Se eu for a Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Campo Grande, Goiânia ou Salvador, terei amigos que me receberão, esses amigos vieram da publicidade. Amigos distintos, malucos, interessantes, inteligentes, generosos e tão importantes para minha vida, ontem, hoje e sempre!

Papo: Você já trabalhou em alguns mercados diferentes. Qual deles é o seu preferido?
Rodrigo: O mercado muda muito, de região para região, quando falamos em Publicidade não há como negar que os grandes centros são os ambientes mais favoráveis. Mas nada se compara a Recife. Em Recife o caldo cultural é imenso e só quem trabalha lá tem a real noção do que é a cultura nordestina: no cinema, música, artes visuais, artistas de rua, poetas, literários, escritores e muitas agências de propagandas abertas para o “novo”.
O diálogo do mercado com a academia é algo muito forte, estimulando a produção criativa para outras áreas – economia criativa. É impressionante o salto de desenvolvimento que o mercado nordestino atingiu nesses últimos 10 anos. Recife é hoje a menina dos meus olhos, lá temos protagonismo na produção cinematográfica, na música, na indústria criativa… temos o 4º maior pólo hightech do mundo (Porto Digital, Porto Mídia) e mais um monte de coisa que não caberia destacar aqui nesta entrevista.

Papo: Você é Especialista em Mercado de Luxo. Como fica este mercado com um cenário de crise?
Rodrigo: O mercado de luxo está retraído, em estado de apreensão, mas é um mercado que ainda está se acomodando no Brasil, ou seja, tem muita coisa para acontecer ainda e muitas oportunidades que não estão sendo exploradas. A política econômica do Brasil, mesmo sendo desastrosa, ainda não afetou diretamente esse setor. As pessoas continuam comprando bens de luxo na mesma intensidade de cinco anos atrás e mesmo com um crescimento modesto, este último biênio revela que é o mercado que mais cresceu entre todos os outros.
Quem entende minimamente de economia percebe que o achatamento maior é sobre o pequeno empresário e os trabalhadores da classe média, hoje são eles que pagam a conta da ineficiência política e da corrupção que se alastra no Planalto Central e em todo Brasil.

Papo: Qual o maior desafio da comunicação pro mercado de luxo neste cenário?
Rodrigo: O desafio é entender que a estratégia de construção de marca é diferente da estratégia de identidade de marca. O Brasil é um país com dimensões continentais e nossa cultura é complexa, diversificada e muito diferente de região para região. Muitas marcas internacionais não compreendem essa diversidade. Um exemplo disso é a leitura que as pessoas têm do nordeste, por exemplo. Há uma falsa percepção que a cultura nordestina é homogênea, mas quem vive lá sabe que a cultura pernambucana é algo muito distinto da cultura baiana, por exemplo, e ambos os Estados são nordestinos. Logo, a estratégia de construção de marca pode ser comum, enquanto as estratégias de identidade de marcas se mostram totalmente distintas. Esse fator interfere não somente na maneira como uma marca se comunica, mas como se arquiteta todo composto de marketing, onde se acomoda o conceito de luxo. Veja que eu nem comecei a falar de promoção, de pessoas (especialização) e de experiência, que são variáveis mercadológicas muito importantes para esse setor.
Para ser mais objetivo, o grande desafio da comunicação para o mercado de luxo é entender que nesse segmento as regras são outras, muito distintas daquilo que o marketing tradicional deixou como legado para a publicidade. Para apimentar um pouco mais esse assunto, o que se vê no Brasil atualmente é uma comunicação de alto custo, que é totalmente diferente de uma comunicação especializada para o luxo (capital simbólico).

Papo: Como surgiu a ideia de criar o livro Criação Publicitária do Briefing ao Anúncio?
Rodrigo: A ideia é de Fabio Duarte, um dos profissionais criativos mais brilhantes que eu conheci e que por ironia do destino é um cara de Campo Grande. Fabinho a vida toda me “encheu o saco” dizendo que a academia produz um conhecimento intelectualizado, que se fecha nele mesmo, não obtendo grande nível de aplicação prática. Portanto, minha obrigação era escrever um livro que tivesse ao mesmo tempo: conceitos teóricos com a visão aplicada à realidade de mercado. Entendo que – missão dada é missão cumprida – eu comecei a me preparar para escrever sobre minhas experiências, onde coubessem ideias que juntassem as teorias com as práticas publicitárias (ele também me ajudou com material e dicas de organização) . Tudo começou de uma simples provocação, uma conversa dispersa de mesa de bar, muito provavelmente quando não tínhamos assuntos mais interessantes para tratar. Em verdade, acho que isso começou em 2010, no Intercom, quando viajamos juntos para Caxias do Sul/RS e depois de muito vinho.

Rodrigo Stefani Correa - Lançamenrro do livro Criação Publicitária do Briefing ao Anúncio - 10º Furacom

Rodrigo Stefani Correa – Lançamenrro do livro Criação Publicitária do Briefing ao Anúncio – 10º Furacom

 

Papo: Como se sente fazendo o lançamento dele aqui em Campo Grande?
Rodrigo: É um momento especial na minha vida. Campo Grande tem um espaço reservado na minha memória afetiva, eu amo Campo Grande, aqui fiz amigos que são parte da minha vida até hoje e onde obtive um dos meus melhores desempenhos profissionais no campo publicitário. Quando aceitei o convite do Prof. Pedro Chaves para coordenar o Curso de Publicidade e Propaganda da Uniderp, que passava por problemas de gestão e de estrutura pedagógica, eu não imaginava o quanto seria exigido de mim… o tamanho do desafio que se reservava.
Em cinco anos de trabalho consegui formar uma equipe maravilhosa, conquistando protagonismo nacional para o Curso de Publicidade. O trabalho da agência experimental, o trabalho dos docentes e os eventos de extensão que empreendemos nos lançaram como um dos melhores Cursos do Brasil, perto de instituições consagradas nessa área, a exemplo da ESPM, PUC de Campinas, Universidade Federal de Santa Maria, Universidade Federal de Pernambuco, ECA-USP, PUC-RS etc. Ser convidado para o 10º Furacom me traz a certeza que fiz um trabalho sério, que além de um bom trabalho consegui fazer amizades verdadeiras e isso é o mais importante – estar com amigos!

Papo: Qual é o objetivo do Livro Criação Publicitária do Briefing ao Anúncio?
Rodrigo: Não tenho pretensão alguma com esse livro! Essa obra é uma resposta a provocação feita por Fabinho em meados de 2010, para provar a ele que é possível conciliar teoria com a prática, conhecimento científico com competência aplicada. Se isso puder ajudar os estudantes publicitários a resolver seus dilemas criativos, ótimo! Mas a minha intenção é gerar instabilidade; é uma provocação para mostrar que “Criação Publicitária” é algo muito complexo e trabalhoso que simplesmente ter boas ideias. Criação é o coração da publicidade e por isso é uma das áreas mais difíceis de dominar.

Papo: Quais as dicas que você deixa pros jovens que estão se formando nos próximos anos?
Rodrigo: Eu tenho uma grande dica: desliga essa droga do Facebook e vai para rua guri(a). Mais da metade do potencial criativo é gerado pelo repertório que adquirimos em nossas experiências lúdicas; curiosamente o repertório se constitui pelo nosso contato físico com os objetos de nossa cultura (culinária, dança, música, folclore, viagens etc). É com a troca de fluidos e sentimentos que se torna possível a sensibilidade sobre os outros. A criatividade está intimamente ligada a nossa capacidade de se relacionar com as pessoas, em diferentes ambientes: bares, ruas, quadras esportivas, sala de aula, eventos etc. Então, viva a vida companheiro!

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