A culpa é nossa?

Culpa

Ler é uma das coisas que mais me faz feliz. E ler assuntos relacionados ao meu trabalho é sempre uma oportunidade de unir o útil ao agradável. E falando sobre publicidade, o livro “Será a propaganda culpada?” de Marcelo C. P. Diniz nos convida a fazer uma reflexão que, na correria do dia a dia, acaba sempre ficando para depois.

No livro, o autor defende ferozmente a nossa classe. Defende o crescimento e a evolução humana, questionando os valores relacionados à sustentabilidade. Segundo ele, é preciso ser sustentável sim, porém o país precisa crescer, produzir e consumir.

Marcelo C. P. Diniz  - Publicitário e autor

Marcelo C. P. Diniz – Publicitário e autor

Marcelo questiona o fato de a propaganda ser colocada como responsável por problemas como a obesidade, consumo infantil, alcoolismo, cigarro e acidentes de trânsito. Como se fosse simples: proíbam a publicidade que para de vender!

O livro é de agradável leitura, mas em alguns momentos a ansiedade em ver adiante o torna um pouco cansativo, aí vira-se a página e tem muito conhecimento e depoimentos de estudiosos de diversas áreas e pesquisas cientificas, além é claro, de experiências vividas pelo próprio autor e seus netos.

Um exemplo prático citado é sobre publicidade de cigarros. Associa-se a diminuição no número de fumantes à proibição da propaganda do produto. A lei que proíbe fumar, primeiro em lugares fechados, depois em público, é simplesmente ignorada, junto com o fato de que as pessoas hoje têm acesso muito maior às informações sobre o mal que o cigarro faz à saúde.

Outro exemplo de reflexão que o livro nos estimula a fazer é a responsabilidade da obesidade infantil ligada à propagandas de fast food. Segundo ele, propaganda não engorda! A obesidade está atrelada aos hábitos de vida, ao sedentarismo, à má alimentação e a excessos. Não simplesmente ao vt do McDonald’s. A restrição não deve ser feita só na propaganda, pois ela é só o final do processo. É preciso pensar em uma forma de oferecer alimentos e hábitos mais saudáveis à população e, somente depois de se chegar a uma conclusão de como fazê-lo, chamar um publicitário para levar isso de um jeito convincente para as pessoas.

Eu gostei. Acho que vale a pena a leitura e recomendo.

 

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