Bel Pesce: um papo de menina empreendedora

Bel Pesce
Bel Pesce - A menina do Vale

Empreendedora e sonhadora, essa é Bel Pesce. A Autora do livro A Menina do Vale tem um currículo exemplar e uma carreira que, em poucos anos, já a posiciona como uma das 100 pessoas mais influentes do Brasil.

O livro A Menina do Vale foi disponibilizado gratuitamente na internet e, em menos de três meses, atingiu a marca de 1 milhão de downloads. Antes de chegar a ele, Bel estudou no renomado MIT, onde se formou em Engenharia Elétrica, Ciências da Computação, Administração, Economia e Matemática, além de fazer programas em Liderança e Inovação. Bel Pesce trabalhou na Microsoft, Google e Deutsche Bank. E quando se mudou para o Vale do Silício, na Califórnia, região que abriga as sedes das maiores empresas de tecnologia do mundo,  liderou três times de engenheiros na companhia americana Ooyala e fundou empresas – como a startup Lemon Wallet.

Após 7 anos morando nos Estados Unidos, ela resolveu voltar ao Brasil e aliar suas duas grandes paixões: empreendedorismo e educação. Bel Pesce fundou a FazINOVA, sua “escola dos sonhos”, uma escola de habilidades que tem a missão de desenvolver talentos e transformar o Brasil em um país mais empreendedor.

Todo esse esforço já lhe rendeu o poder de influenciar pessoas, Bel Pesce foi considerada uma das 100 pessoas mais influentes dos Brasil, pela Revista Época, eleita um dos 30 jovens mais promissores do Brasil, pela Revista Forbes e entrou na seleta lista dos 10 líderes brasileiros mais admirados pelos jovens pela Cia de Talentos.

Bel Pesce esteve em Campo Grande, onde depois de uma palestra para três auditórios lotados simultaneamente, bateu um papo com a gente e deixou o que costuma deixar por todos os lugares por onde passa: Inspiração! Tenho certeza que depois de ler o que ela nos disse, você vai se sentir estimulado a sonhar e ir atrás da realização dos seus sonhos.

Falando em sonho, Bel já definiu seu próximo sonho: tocar 1 bilhão de pessoas ao redor do mundo de forma efetiva, plantando uma sementinha de mudança em cada coração. Deixe ela tocar o seu coração e te ajudar a ser uma pessoa melhor pra você e pro mundo! Confira o papo que foi longo, mas que valeu cada palavra.

 

Bel Pesce

Bel Pesce

Papo: Empreender é esforço, talento ou visão?

Bel: Por mais que eu ache que é uma mistura dos três, quando penso em escolher um, eu vejo que o talento e a visão são perdidos se não tiver esforço. É claro que os três são importantes, mas não adianta você ter um supertalento ou uma supervisão e não conseguir executar, porque eles acabam sendo perdidos sem esforço.

O livro “Outliers-Fora de Série” mostra o mito do talento. Ele cita alguns exemplos de pessoas consideradas muito talentosas, seja no esporte, como o time de hóquei no Canadá, seja Bill Gates, um gênio da tecnologia, seja um gênio da música. Ele estudou algumas pessoas  que são consideradas talentosas, geniais e conseguiu identificar que todos eles tiveram, no mínimo,  mais de 10 mil horas de treino e estudo.

Então a minha visão sobre talento não é aquela do cara nasceu com aquilo, é claro que algumas pessoas têm mais facilidade pra desenvolver alguma aptidão, mas tem a ver com esforço, ninguém aprende do nada. Claro que se a pessoa tiver habilidade, gostar e treinar ela vai crescer muito e ter a impressão de que ela tem um grandioso talento.

Agora, a palavra visão é muito importante. É complicado também se um cara for muito esforçado e não tiver visão, se for uma pessoa que trabalha muito, mas sem ter a estratégia para fazer este trabalho chegar a algum lugar que faça sentido.

Essa três coisas são muito importantes, só quero desmitificar o fato que as pessoas acham que alguns nascem sabendo e, por isso fazem certo. Empreender é fazer, ver como o mercado reage, fazer de novo, aprender de novo.

Papo: Jovem, influente e uma referência para as diversas gerações são as principais imagens quando se fala de você. Como Bel Pesce gosta de ser vista?

Bel: Eu sou muito igual às pessoas que me admiram. Acho que muito do poder da influência tem a ver com você representar a pessoa. Quando você pega estudantes que estão prestando vestibular que gostam do meu trabalho, por exemplo, dez anos atrás eu estava no lugar deles. Quando você pega pessoas que estão se formando na faculdade e querendo encontrar um trabalho que realmente satisfaça eles no que acham que é importante, cinco anos atrás eu estava neste mesmo lugar. Pessoas que me admiram e que querem fazer algum projeto delas, alguma coisa que elas desenharam, também se veem em mim.

Eu acho que as pessoas se identificam porque eu passei por coisas muito similares e, ao mesmo tempo que isso é lindo, é louco, porque eu sou muito normal e, pra mim, é uma dádiva muito grande poder falar com eles.

Agora também tenho que te falar como a Bel Pesce gosta de ser vista. Ela quer ser vista como um ser humano muito normal, que corre atrás, que não nasceu com alguma grande vantagem especial, nem abastada de nada que pudesse facilitar. A Bel gosta de ser vista como um exemplo real do que você consegue fazer com esforço e dedicação.

A coisa que eu mais admiro em uma pessoa é ela ser de extremo bom coração e conseguir desenhar coisas nas quais ela cresça e que que as pessoas ao seu redor cresçam também. Eu admiro pessoas de extremo bom coração, que consigam desenhar o que vão fazer e que consigam ter ótima execução e entregar o que desenharam. É assim que eu tento viver a minha vida, procuro executar bem o que eu defino que é importante pra mim, todo dia e sempre pensando nos outros. O bem é muito importante pra mim.

 

Bel Pesce

Bel Pesce

Papo: Qual o legado que você gostaria de deixar para cada pessoa que lhe ouve?

Bel: Eu tenho pensado sobre isso, porque conforme a gente vai falando com mais gente vai mudando a influencia que a gente tem. Quando dei a primeira entrevista na TV, 50 pessoas me mandaram e-mail, depois com um vídeo no Youtube, mais gente viu, com o livro, foram milhões de pessoas, agora com as palestras que tenho on-line, são mais milhões. Então uma coisa é influenciar 30 alunos que eu tenho na sala de aula semanalmente por um semestre, outra coisa é influenciar 5 milhões.

É bem difícil influenciar de forma extremamente profunda com toques rápidos, mas quando penso em legado, tenho que pensar em dois números, o de quantas pessoas eu consigo influenciar e outro é o quão profundamente eu consigo tocar cada uma delas. Eu cheguei num balanço que vai representar bem o que eu queiro deixar como legado, eu descobri que o meu papel não é simplesmente influenciar a pessoa a empreender, abrir uma empresa, a missão é estimular as pessoas a serem protagonistas da sua vida. Empreender em relação ao sonho que você tenha na vida.

Então, o meu sonho de vida, é que os conteúdos que eu e as equipes que trabalham comigo consigam tocar 1 bilhão de pessoas ao redor do mundo, a gente tocou entre 30 e 50 até agora, mas tocar como? Fazer com que cada uma delas dê um passo a mais em relação ao seu sonho.

 

Papo: De todas as barreiras que você encontrou no caminho e te desafiaram, qual foi a mais difícil?

Bel: Todas as barreiras são difíceis antes de você ultrapassar, depois que você ultrapassa fica fácil e aí você muda a referência. Por exemplo, eu achava que correr 10km era impossível, corri uma vez e agora acho normal. A maior barreira é o medo, o medo de achar que é impossível, claro que algumas pessoas contribuem como barreira, dizendo que é difícil e aumenta o medo em você. Mas a maior barreira é você, porque você não vai seguir a diante. Isso vale pra tudo na vida, pra aprender a cozinhar, trabalhar ou correr.

A maior barreira é psicológica e cada vez que você consegue realizar, aquilo não é mais barreira. Claro que tem outros desafios como acesso à informação e pessoas que querem desviar você do assunto, mas no final tudo volta pra você.

 

Papo: Dos orgulhos que sua vida profissional já lhe rendeu, qual é aquele mais especial?

Bel: Alguns orgulhos são muito especiais, vou contar três pra vocês, que vivi em diferentes fases. O primeiro é sozinha conseguir entrar no MIT,  que era um sonho muito grande aos 17 anos. Não por ter entrado na melhor faculdade do mundo, mas por aprender, com 17 anos, que você consegue transformar em realidade algo que ninguém achava que eu iria conseguir. É muito forte, muda a referência, eu sabia que era possível e isso foi importante.

O lançamento do livro de forma gratuita, em que as pessoas espalharam a mensagem, pra mim foi algo muito especial, de que tenho muito orgulho. Na verdade, não era uma estratégia, disponibilizar o livro gratuitamente foi uma vontade do fundo do meu coração. Eu poderia não ter feito nada, mas eu acreditava, no meu coração, que fazer algo que pudesse tocar os outros como me tocaram, era muito importante. Eu tenho orgulho de como isso foi feito.

Alinhado a isso tem mais uma coisa, quando lancei o livro, em 2012, eu fiz um mini-tour ao redor do Brasil, fui pra cinco estados. Ano passado, quando lancei o terceiro livro, eu circulei por todos os estados em um mês. Eu tenho muito orgulho disso, porque eu poderia simplesmente viver on-line,  ter feito isso no Youtube seria mais fácil, ou talvez nem ter feito isso. Mas achar o tempo pra estar ao vivo com pessoas de todos os estados do Brasil, aprender com elas, falar com elas, ensiná-las, mostrar e aprender de novo com elas me fez muito feliz.

 

Bel Pesce Palestra UCDB

Bel Pesce lotando os auditórios da UCDB

Papo: Na sua visão, qual é o maior limitante que as novas gerações estão colocando nas próprias carreiras?

Bel: Eu tenho uma palestra que fala As 12 maneiras de destruir seu sonho. Uma delas é a maneira que eu acho que mais tá fazendo as gerações travarem, todo mudo está nessa vibe de falar: você tem que fazer o que gosta. Eu também digo isso, que você tem que achar alguma coisa que gosta e fazer, mas as pessoas estão confundindo, achando que você tem que achar alguma coisa que gosta e só fazer o que gosta. Não é isso, você tem que fazer alguma coisa que ama tanto, uma coisa tão importante,  que faz você suportar fazer as coisas que você não gosta pra chegar num fim.

As pessoas da nova geração querem o rápido, o fácil e querem fazer só o que amam. Essa é a maior barreira, elas têm que entender que não é tão fácil nem tão rápido, que você tem que conquistar coisas, que tem gente que já conquistou coisas antes, que por mais que você saiba, você ainda tem que criar um esforço e fazer coisas que você não gosta. Quando eu toco a minha empresa, por exemplo, você acha que a Bel Pesce só faz coisa que gosta? Não! Tem um monte de pepino, mas eu amo tanto aquilo, que não existe a possibilidade de conversar sobre não fazer, mas eu me orgulho de fazer as coisas que eu não gosto porque faz parte do sonho do que eu realmente quero fazer. Não existe a forma utópica de fazer só as coisas boas.

 

Papo: Para o sucesso, uma boa ideia apenas não basta, por que?

Bel: Sem dúvida, o sucesso é a execução. Ideia todo mundo tem, posso dar ideia pra todo mundo. O que vai fazer a diferença é alguém pegar aquela ideia e executar bem, saber entender o que o mercado quer ou não, saber a melhor forma de entregar o resultado, saber a forma de escalar. Então, é claro que uma ideia é muito importante, mas fazer dela um projeto e executar é o que determina o sucesso. Um exemplo disso é o Faceboook, antes dele tinha Myspace, Orkut, a ideia de criar uma rede sociais já existia. Execução foi o que fez a diferença.

 

Papo: Você tem uma visão bem particular sobre o erro para o processo de inovação. Errar é importante?

Bel: Muito! Ninguém quer errar, mas deixa eu explicar a importância do erro. Pra eu não errar, o que tenho que fazer? Ou eu não faço nada, porque sem fazer nada você não erra, mas também não faz nada. Ou só tomo a decisão diante de  informação completa, onde eu saiba exatamente o que vai acontecer, com a certeza dos resultados. Se as pessoas fossem baseadas só nessas duas formas, se as pessoas só vivessem dentro dessas duas situações, não existiria inovação no mundo. Porque a inovação está associada a fazer coisas que ninguém fez, ou da maneira que ninguém fez, e isso engloba risco. Não tem como ter 100% de certeza. Não to dizendo que a gente quer errar, mas a gente tem que criar um ambiente onde as pessoas possam fazer coisas que nunca fizeram, possam tentar coisas e quando errarem você tem que ter uma estrutura pra levantar desse erro e continuar tentando.

 

Papo: Para os gestores, qual as principais recomendações para uma liderança eficaz?

Bel: Tem muita coisa que é importante, mas vou resumir as principais:

  • Em primeiro lugar você tem que ser muito bom ouvinte. Não adianta você ser um líder falando simplesmente o que é pra fazer, sem ouvir.
  • Em segundo lugar ter comunicação muito clara, não deixe o seu funcionário louco! Às vezes a coisa está tão clara na sua cabeça que você não explica direito. Defina as metas com clareza, deixe claro o que você espera. Alinhe tempo de execução e expectativa.
  • E em terceiro, uma coisa em que eu acredito muito, dê espaço para as pessoas criarem coisas, dar ideias. Quando eu digo ouvir, não é apenas sobre o projeto que ela está desenvolvendo, mas deixá-la se sentir dona, ouvir realmente o que ela tem a dizer.

 

Papo: Qual seu maior sonho?

Bel: Tocar 1 bilhão de pessoas com os conteúdos que eu e a minha equipe estamos criando.

Pra finalizar, quero deixar o convite para vocês acessarem três conteúdos que falam sobre empreender. São todos gratuitos. O primeiro é o Caderninho da Bel, o canal no Youtube que tem mais de 350 videos com conteúdo pra crescimento pessoal e profissional. Outro conteúdo é a FazINOVA, a escola dos sonhos, que tem diversos conteúdos on-line gratuitos, uma plataform que ajuda pessoas a dar passos em relação ao seu sonho. E claro, não deixe de conhecer os meus livros, com download gratuito: “A Menina do Vale“, “Procuram-se Super Heróis” e “A Menina do Vale 2.

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