Descubra o outro lado do Lado B

Lado B - Campo Grande News

Todos os dias a gente lê, comenta, compartilha nas redes sociais, manda o link no Whatsapp… o Lado B faz parte da vida do campo-grandense, e eu não tenho dúvida em dizer que faz parte da vida de MUITOS sul-mato-grossenses. Quem nunca aconselhou um amigo que vende um espetinho incrível a chamar o Lado B? Que dono de salão de beleza não se imaginou estrelando uma matéria no Lado B, depois de ler a história sobre o cabeleireiro Orlando, do centro? E quantas meninas não chamaram as amigas para conhecer um brechó que apareceu por lá?

No que a gente nunca pensa é nas pessoas que estão do outro lado, sentadas na frente do computador escrevendo um texto para te encantar, exatamente neste momento. E antes de parar pra escrever, essas pessoas fizeram visitas, fotos, ligações e o mais importante, descobriram coisas interessantes para te contar.

Sucesso há quatro anos, o Lado B tem hoje 2 milhões de acessos por mês. A editoria que nasceu de uma profissional inconformada com as notícias ruins que lhe eram impostas pelo jornalismo:  Ângela Kempfer, a grande responsável por esse sucesso. O Papo com ela, mostra o lado de dentro do Lado B.

Lado B - Sempre atraente

Lado B – Informação, cultura e sempre o inusitado.

Papo: Como surgiu o Lado B?
Ângela: Surgiu em agosto de 2011. Eu era chefe de jornalismo do Campo Grande News, responsável por todas as editorias e já estava nessa função há cinco anos. Chegou um momento que eu não queria mais fazer jornalismo, as notícias eram sempre tristes, me fazia mal. Então conversei com meu diretor, disse que eu não queria mais fazer aquilo e ele disse pra eu fazer o que eu queria. Mas eu não sabia o que eu queria! Então fui pra rua, na primeira saída eu encontrei o que eu queria fazer, descobri tanta coisa em uma caminhada e comecei a fazer matérias sobre essas coisas. As matérias começaram a ser lidas, então criei uma editoria disso. Eu ainda continuo fazendo essa caminhada, todos os meses, e sempre descubro lugares novos e assuntos interessantes. Aqui em Campo Grande não existia nenhuma editoria sobre comportamento, nada sobre decoração ou gastronomia. Comecei a falar disso num jornalismo diário. Hoje o Lado B tem matérias entre as mais lidas todos os dias.

Papo: A aceitação do público foi imediata?
Ângela: O campo-grandense, como todo o brasileiro, só valoriza o que vem de fora. O que a gente faz aqui no Lado B, muitas vezes é atacado, mas quando as pessoas veem o mesmo tipo de matéria em jornais de fora, sites nacionais, elas curtem e compartilham.
Na parte de comportamento aparece a mentalidade mais conservadora do público. Quando tratamos de homossexualidade, por exemplo, as pessoas criticam, o número de compartilhamento é bem menor. Mas quando um jornal de fora publica algo com esse tema, esse mesmo público compartilha pra mostrar que é a favor do amor.
É engraçado que o número de visualizações é muito alto, mas as pessoas não curtem, e quando cometam, é só pra criticar. Falamos uma vez sobre uma casa de swing que tem aqui em Campo Grande, ficou dois dias sendo a matéria mais lida, porém os comentários eram: Vocês não tem mais do que falar?
Lendo os comentários é possível fazer uma análise sociológica incrível.

Papo: Quais as matérias que mais surpreenderam pelo alcance e repercussão?
Ângela: Matérias mostrando lugares gracinha são as mais curtidas, as pessoas adoram, curtem e compartilham. A do cabeleireiro Orlando teve uma repercussão incrível e a pauta surgiu numa caminhada minha no centro, quando eu vi aquela portinha, imaginei que tivesse uma história pra contar, só não imaginei que ele fosse conhecido. Teve a matéria sobre uma turma que raspou a cabeça na formatura em homenagem a um colega com câncer. Essas duas foram as matérias mais lidas.

Equipe Lado B

Equipe Lado B

Papo: Como é a equipe Lado B?
Ângela: Eu comecei com um destaque no site, de repente eu tinha cinco destaques, daí a equipe teve que crescer. Hoje tenho uma equipe de quatro pessoas com perfis muito diferentes. Cada um deles desenvolveu o olhar para descobrir o que tem cara de Lado B.
Nossa equipe teve que aprender a escrever de um jeito menos quadrado, engessado, hoje eles têm um pouco mais de tranquilidade pra isso.

Papo: São muitos os casos de empresas citadas no Lado B que tiveram volume de público acima da capacidade nos dias posteriores à publicação. Isso é bom?
Ângela: A gente recebe muito pedido de matéria de lugares para ir e a gente vai. Algumas empresas não imaginam o poder que essa mídia tem e acabam tendo problemas, já aconteceu de falarmos de restaurantes e o volume ser tão grande que eles não deram conta de atender, daí os clientes são mal atendidos e não voltam mais. O resultado acaba sendo o contrário do esperado.
Acontece também de querermos falar sobre determinado lugar e o dono dizer que naquele momento não dá! Ele não vai conseguir atender a demanda, daí ele se organiza e depois de um tempo nos procura dizendo: Agora vocês podem vir!
É importante que eles tenham essa consciência.

Papo: Para o mercado publicitário, estar com anunciantes associados a essas pautas é mais simpático e dá mais resultado?
Ângela: Nós temos um instrumento que é o Informe Publicitário que é um produto comercial. Ele não tem relação com o Lado B, nós fazemos questão de dizer que é um Informe Publicitário, não é assinado por nós.
O resultado do Infome é o mesmo de uma matéria. Nele nós temos duas possibilidades, uma é a gente produzir a matéria, a outra é a agência mandar o texto pronto. Quando produzimos a matéria, nós vamos lá, tiramos fotos, dá pra perceber a diferença, porque nós conseguimos dar o nosso toque.
Quando a agência manda, a matéria não fica com cara de Lado B, elas ainda não aprenderam a falar com a nossa linguagem.

Papo: Como é ajudar as pessoas a descobrirem coisas, assuntos e lugares que nem imaginavam existir?
Ângela: Muito bom. Também tem o lado das pessoas que aparecem no Lado B, elas se sentem muito orgulhosas de terem suas histórias contadas pela gente. Tem empresas que abrem porque viram matéria da gente, viram um exemplo que deu certo e tomam coragem para abrir o seu negócio.
Também fico feliz em ver transformação que a gente fez no jornalismo de Campo Grande. A gente vê que todos os veículos on-line agora têm essa editora também. Eu acho isso muito bacana é um indício que deu certo.
O resultado é formidável. São feitos dois ou três por dia e todo dia o Informe está entre as mais lidas, isso significa de 10 a 20 mil acessos.

Papo: A internet revolucionou a comunicação. Como você acha que os veículos off-line vão sobreviver?
Ângela: Quem compra jornal? Até quando vai isso? Durante um tempo as pessoas questionavam as notícias de internet, por causa das redes sociais. Mas hoje a gente vê muita coisa nas redes sociais e acaba abrindo só o que interessa. Não vejo como o jornal impresso pode continuar dando certo, vai estar sempre atrasado. Nem o jornalismo na TV tem mais sentido, as pessoas não vão ficar sentadas na frente do jornal vendo noticia velha.
Eu sou fascinada pela internet!

Lado B

Papo com Ângela Kempfer

Papo: Como foi perceber que a coluna estava se transformando num eficiente canal comercial, com dicas interessantes e que davam resultado aos anunciantes?
Ângela: Nós começamos a perceber que quando eu falava de algum lugar, produto ou tratamento, sem nenhum vínculo comercial, na sequência aparecia um monte de gente daquele segmento querendo anunciar. Começou assim, de um jeito que parecia o contrário do que o comercial deveria ser.

Papo: Na sua visão, o Lado B é um “case” de sucesso surpreendente ou todos os movimentos foram friamente calculados?
Ângela: Ele começou fazendo, meio sem saber pra onde ia, as pessoas foram gostando, foi dando certo. Agora eu percebo que a gente estava seguindo uma tendência.

Papo: O Lado B expandiu e fala de tudo relacionado à sociedade, amenidades, vida. O que mais esperar do Lado B?
Ângela: Eu já estou inquieta, já quero coisas novas, as pessoas querem coisas novas. E eu vou começar a desenvolver novos projetos aqui dentro, são projetos que eu tenho há um tempo guardado, mas que ainda não consegui desenvolver.
Uma das coisas que a gente está preparando é um Guia de Gastronomia, juntando todos os lugares que a gente já visitou num lugar só.

Papo: O que você gostaria de falar e ainda não foi pauta no Lado B?
Ângela: Não! Tudo que eu quero falar eu falo. E ganha uma repercussão enorme! (risos)

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