Fotografia: o olhar social de um publicitário

Andre Bittar
Andre Bittar
André Bittar Falcão

André Bittar Falcão

Ele tem apenas 23 anos e é um inquieto.
Publicitário, André Bittar abraçou a fotografia como paixão e profissão, o que tem rendido desafios, alegrias e belas imagens.
Salta aos olhos a nítida paixão pelo social em cada ângulo, cada clique.
Certamente isso vem de casa. André é filho da saudosa professora Mariluce Bittar, que, quem conheceu não esquece do coração gigante e visão humanitária. Uma grande herança que André recebeu e hoje compartilha.

O Papo convidou André para uma conversa, que você acompanha a seguir, e de bônus, uma galeria com alguns de seus trabalhos. O Papo hoje tá lindo.

Papo: De onde veio essa paixão pela fotografia?
André: Eu cresci em uma família muito ligada à arte, música, desenho, pintura, teatro, cinema…Comecei no caminho desenhando pessoas e pintando quadros. A fotografia veio um pouco depois, quando fiz 16 anos queria ingressar no curso de Publicidade e minha mãe me presenteou com uma câmera. Ela já tinha uma, analógica, foi aí o meu primeiro contato com a fotografia. Em 2012, ainda sem grandes feitos na fotografia e muito cru, o Jornal O Estado me convidou para fazer um estágio e foi aí que tudo começou.
Andre Bittar Falcão

Andre Bittar Falcão

Papo: E essa paixão principalmente pela temática social nas fotos, onde nasceu?
André: Como o meu primeiro contato com a fotografia profissional foi no fotojornalismo, comecei a me interessar muito pelas necessidades e simplicidade da população mais carente, com a qual me identifico muito. Em 2014 fui convidado a passar uma temporada no Acre, como fotógrafo principal de uma campanha de governo. Foi uma experiência incrível, pude conhecer um Brasil que eu não sabia que existia. Conheci os 22 municípios do Acre, viajei de canoa, teco-teco e descobri que eu nasci para fazer isso, acho que a paixão em fazer fotografia social nasceu lá, com aquelas crianças de pés descalços e sorrisos únicos.

Papo: Em que a publicidade colabora para suas fotos? Visão comercial, artística, sensibilidade?
André: A publicidade abriu muitos caminhos para mim, aprendi a vender o meu trabalho, enquadrar as minhas fotos. A publicidade aguçou a minha sensibilidade tanto para as fotos com cunho social, como para as fotos comerciais. Minha mãe dizia que “enquanto estamos na academia temos que aproveitar tudo que ela oferece” e foi isso que fiz, aproveitei ao máximo conciliando o aprendizado em sala de aula com a prática nas ruas e no estúdio também.

Papo: Conte um pouco da sua trajetória até optar por trabalhar atrás das lentes.
André: Comecei a minha caminhada na arte aos onze anos, desenhava retratos e pintava quadros de paisagem. Trabalhei como garçom, fui ajudante de montagem de som, trabalhei como técnico em manutenção de computadores e enfim: a Universidade. Nos primeiros semestres de curso tive a honra de trabalhar em uma das maiores agências do estado como redator, foi um grande desafio e mesmo sabendo que aquilo não tinha muito a ver comigo, encarei o desafio e aprendi muito. Depois surgiu o estágio no Jornal O Estado. E depois trabalhei em um estúdio, como fotógrafo e editor de imagens. Em 2014, infelizmente, eu e minha irmã perdemos a nossa mãe, fiquei desnorteado sobre o meu futuro. Será que eu conseguiria construir minha vida trabalhando com isso? Então surgiu o convite para trabalhar no Acre, passei a acreditar em mim de novo, passei a acreditar que era isso que eu queria fazer para o resto da vida. Agora voltei para o Jornal O Estado, como contratado, estou realizado e sei que o meu lugar é atrás das lentes.

Papo: Qual o clique que lhe encantou mais? Aquela foto que lhe orgulha…
IMG_9710André: É difícil escolher uma. Na minha passagem pelo Jornal O Estado fiz uma pauta de cidades, a foto de um acidente fatal. A foto saiu na capa da editoria e no dia seguinte, o grande fotógrafo e ídolo Roberto Higa postou a minha foto e colocou um comentário emocionante. Com certeza essa é a foto que me orgulha mais, posso dizer que essa foto foi um grande marco para mim no fotojornalismo.

Meninos 2Papo: E um grande desafio, projeto ou trabalho que lhe exigiu e ensinou muito, conte sobre isso…
André: A minha experiência profissional no Acre, sem dúvidas, foi o maior projeto que fiz. Com 23 anos peguei uma campanha de governo como fotógrafo oficial. E uma coisa entre várias que aprendi no estado acreano foi olhar para todos os lados na fotografia, não ficar olhando apenas para frente com apenas um objetivo, as cenas fotográficas, os campos que fotografamos nos oferecem muitas imagens, mas precisamos saber olhar para todos os lados.

Papo: Como descreve o prazer de fotografar?
Andé: Fotografia virou minha vida, todas as coisas que olho imagino como se fosse no visor da minha câmera. Não consigo mais enxergar diferente disso. Interagir com uma criança depois que a fotografo, deixar ela me fotografar com a minha câmera, estar no lugar certo no momento certo, poder guardar aquele momento para sempre pra mim, como guardei as fotos dos últimos meses de vida e de tratamento de minha mãe, se não fosse a fotografia não teria isso guardado comigo.

Papo: Como não dá pra viver ainda só de foto arte, quais outros trabalhos você desenvolve?
André: Fotografia de acontecimentos sociais, crianças carentes, conflitos, todo e qualquer conteúdo que tenha o cunho social me dá muito prazer, mas sabemos que não dá dinheiro no começo de uma carreira. Acho que temos que começar com o pé no chão e crescer a cada dia. Hoje trabalho novamente no jornal, continuo fazendo todos os tipos de eventos, principalmente fotografia de aniversário infantil, que é o evento que mais faço e me dá muito prazer.

Confira um pouco do olhar do André Bittar na galeria abaixo.
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