Inteligência Competitiva num Papo com Sanchae Camatti

Ele adotou Campo Grande como morada há poucos meses com um belo desafio, montar um projeto de Inteligência Competitiva em um dos maiores grupos empresariais daqui. Sanchae Camatti é Diretor de Inteligência Competitiva e Marketing do Grupo Enzo, e por onde se ouve falar dele, seja da sua equipe, seja de profissionais do mercado, só se ouvem elogios.
O Papo com Sanchae Camatti tem muito a nos ensinar. Vamos ver agora como trabalha um profissional de Inteligência Competitiva.

Papo: Qual sua história profissional?
Sanchae: Eu sou formado e Administração, tenho MBA em Gestão de Pessoas e Coaching, MBA em Gestão de Projetos, dois cursos de especialização em Inteligência Competitiva.

Inteligência Competitiva

Sanchae Camatti

Papo: É correto pensar que suas experiências como professor e também na área comercial da RBS, um dos maiores grupos brasileiros de comunicação, colaboraram com sua visão 360 sobre estratégias e negócios?
Sanchae: Sem dúvida. Começando pela RBS, quando você entra num grupo de comunicação, que está estruturado há muito tempo, voltado somente para comunicação e aí muda esse conceito para atingir vários mercados, você tem um desafio de informações e inteligência muito alto. Eu entrei num momento em que a empresa encontrava dificuldades nos jornais, com queda de vendas, tinha identificado que o rádio não teria um crescimento expressivo a ponto de cobrir a queda dos jornais, e a TV não tinha mais muito o que aumentar. Então a empresa decidiu que queria operar em negócios digitais, comprou sites de entretenimento, e-commerce de vários tipos de segmento. Isso me fez ter uma participação no processo que olhava pro mercado da seguinte maneira: Como podemos ajudar o mercado a ficar mais tecnológico e se comunicar melhor?
Por ter entrado nesse núcleo, eu me especializei em algumas ferramentas de marketing digital. Então me convidaram para ser professor desse tema. Em sala de aula eu levava a visão do trabalho em uma grande corporação, para uma sala de aula de MBA cheia de alunos que não sabiam o que fazer com o Facebook. Aí pude ter uma visão de micro, pequeno, médio e grandes corporações.

Papo: Há quanto tempo está no mercado de MS?
Sanchae: Eu estou aqui há pouco mais de seis meses. Eu estava na RBS, passei a participar de um novo projeto, uma startup de Geração de Inteligência via web para captação de clientes, focada no segmento automotivo. Por isso, conheci muita gente desse segmento, fui prospectado por um profissional de carreira que me chamou para trabalhar aqui com esse Projeto de Inteligência Competitiva. Eu e minha família nos adaptamos muito bem, a cidade é muito boa, as pessoas também.

Papo: Nesse tempo, você plantou admiradores. É comum ver nos veículos e fornecedores, elogios à sua atuação, principalmente transparência e objetividade. Isso é um perfil profissional, estratégia de relacionamento ou ambos?
Sanchae: Eu tenho uma característica pessoal que trouxe para a minha vida profissional, que é: a gente aprende mais quando compartilha. Eu sou uma pessoa inconformada, mesmo que algo esteja andando bem, eu sempre me questiono se poderia estar melhor. Pra mim não tem projeto pronto, acabado. Então isso me faz me aprofundar muito nos assuntos, ler muito. Essa é a primeira parte, a segunda é você conseguir conversar isso com as pessoas, numa linguagem que elas te entendam. Eu determino um bom tempo para conversar com as pessoas.

Papo: Estar coordenando o marketing e a inteligência competitiva de um grupo com mais de 16 marcas, traz inúmeros desafios. Qual o maior?
Sanchae: O maior desafio é enfrentar esse momento adverso. Eu lembro do meu primeiro dia de aula de Administração, meu professor perguntou quem estava ali e não gostava de resolver problemas, para todos os que levantaram a mão, ele disse que então estavam no lugar errado, porque Administrador de empresas é formado pra tratar de problemas.
Aqui nós temos um desafio enorme que é cuidar de uma corporação grande e com muitas marcas. Em momentos de crise é que surgem os problemas e a gente tem que contornar, então o maior desafio desse momento é conseguir manter o espírito aceso. Se está difícil de remar, nós temos que remar mais forte.

Inteligência Competitiva

Sanchae Camatti – Papo em uma das concessionárias do Grupo

Papo: Pesquisando um pouco mais, se descobre que você é um líder admirado por sua equipe, que incentiva, motiva, mas sabe cobrar e promover superação. Qual o perfil do profissional que você busca ter ao seu lado?
Sanchae: Eu olho três questões prioritárias, primeiro se ela tem paixão por aquilo que ela faz. Isso não significa que o mesmo desejo vai durar a vida toda, mas o desejo faz com que a pessoa seja o melhor naquilo. O segundo é se as questões técnicas são equivalentes, tem coisas que você consegue desenvolver nas pessoas, tem coisas que não. E a terceira, e mais importante, é o quanto aquela pessoa tem o desejo de fazer algo que deixe a sua marca, seu legado. Eu sou o tipo de gestor que não assino nada sozinho, minha equipe toda trabalha junto e é reconhecida.

Papo: Como lidar com a comunicação de produtos e marcas tão diferentes, para públicos tão distintos?
Sanchae: O desafio é igual, o que muda é a forma como você se comunica. Se eu usar uma ferramenta de comunicação, um outdoor por exemplo, posso usar para todos os públicos o que muda é a mensagem. A gente segue muito a receita de marketing tradicional. Por trás desse conceito há uma forma diferente de pensar em cada público, não pensando a marca e sim o público.

Papo: É sabido também que você está a frente de um ousado projeto para o Grupo. Pode contar um pouco dele?
Sanchae: É um projeto de Inteligência Competitiva, algumas das grandes corporações mundiais já fazem algum movimento nesse sentido há um tempo e eu estou à frente desse projeto aqui no Grupo Enzo. É complexo, é um projeto que tem uma proposta diferente de abrangência de mercado, mas ao mesmo tempo é muito desafiador.
Todas as empresas, nas operações geram dados, esses dados são armazenados. Por exemplo, um posto de combustível, ele sabe quanto ele vendeu hoje de combustível, sabe quanto vendeu semana passada, mês passado. Aí vem as planilhas para tentar ler esses dados, eu digo tentar, porque a planilha não tem inteligência para trabalhar com esses dados, então um projeto de inteligência competitiva trabalha esses dados.
Vou usar uma analogia para ficar mais fácil de entender: vamos considerar que as empresas fossem um arco, as pessoas da empresa são os arqueiros e os produtos são as flechas. Quando eu não tenho dados, eu atiro as minhas flechas no universo, porque não sei onde o alvo está. Quando atiro, atiro mil flechas de uma vez, acerto uns, outros pegam de raspão e outros não acertam. Podemos considerar que o vento é o concorrente esbarrando em mim, para eu errar o alvo. E o alvo está se movimentando, recebendo flechas dos meus concorrentes.
O que eu faço para ser assertivo? Pego a inteligência interna e cruzo com as informações de mercado, essa é a inteligência competitiva. Você pode operar em qualquer segmento com Inteligência Competitiva, mas a cultura mundial e principalmente no Brasil, não se preocupa com isso. Se preocupa apenas em guardar os dados, não em usá-los de maneira inteligente.

É sempre bom falar com profissionais admiráveis, né? O Papo deseja ainda mais sucesso ao Sanchae aqui no nosso estado. E nunca é tarde para dizer: Seja bem-vindo!

 

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